Plasticidade

O cérebro é uma área muito complexa e ainda um mistério a ser desvendado, porém a neuroplasticidade trouxe esperança e expos todo potencial de um cerebro em atividade, os neurônios são responsáveis por desempenhar funções basicas como andar, falar, comer, respirar, etc. A descoberta da neuroplasticidade demonstrou que os neurônios realizam conexões das áreas afetadas a partir das não afetadas, são chamadas sinapses, ampliando as oportunidades de reabilitação e recuperação motora.

Para estimular os neurônios a realizarem estas conexões é necessário um conjunto de terapias de reabilitação, desenvolvidas por equipe multidisciplinar: fisioterapia respiratória e motora, fonoaudiologia de deglutição e fala, terapia ocupacional para posicionamento diversos, nutricionista e psicologo. As terapias alternativas tambem são muito bem vindas como reike, acupuntura, massagem, kinesioterapia e outros.

O objetivo desta cartilha é compreender o funcionamento do cérebro lesionado e aplicar as terapias corretas com equipamentos que auxiliem na recuperação e melhorem a qualidade de vida dos pacientes para que os movimentos retornem num período de tempo menor que as terapias convencionais. Os exercicios de estimulação e repetição diaria, tem que ser encarados como uma nova chance de recuperação e ninguem poderá prever o futuro, mas com os avanços tecnológicos é possivel sonhar com a recuperação total, mesmo que para isso tenha que se utilizar mais recursos com tecnologia de ponta.

Úlceras de pressão/ Escaras

Também denominadas escaras ou úlceras de decúbito, ocorrem normalmente em pessoas acamadas que não conseguem se movimentar e mudar de posição regularmente, propiciando uma área de pressão de longa permanência. Em consequencia há uma redução do fluxo sanguineo e com a pressão do osso contra a pele poderá haver isquemia ou necrose.
O tratamento é demorado, doloroso e ainda ser foco de infecções devido a exposição das feridas. O estado emocional do paciente também ficará abalado, interferindo negativamente no tratamento médico.

Para prevenir é necessario alguns cuidados tanto na internação hospitalar quanto domiciliar: realizar as mudanças de decúbito (posicionar o corpo, lateralizar, direita/ esquerda/ dorsal) de 2h/2h, evitar o contato com superfícies molhadas (roupa, fralda e lençol), hidratar a pele com creme hidratante a base de AGE, no corpo todo após o banho e antes de dormir, adquirir o colchão inflável de pressão alternada, evitando que as áreas do corpo fiquem em contato com o colchão diminuindo a pressão e reduzindo o aparecimento de escaras.

Estes procedimentos simples de cuidados diarios trazem muitos beneficios ao paciente já debilitado pela doença e os resultados são inúmeros:

  • Auxiliam na circulação sanguinea, colaborando para que a energia flua em todo organismo assim como o oxigenio e medicação;
  • Economia no tratamento de cicatrização que podem levar meses até anos para cicatrizar, economia no uso de materiais hospitalares e no tempo de profissionais de enfermagem dedicados a realizar curativos e cuidados ao movimentar e higienizar;
  • Evitam sofrimentos desnecessários como dor e falta de posicionamento na cama, mas principalmente impedem que pacientes morram de infecções oriundas destes ferimentos.

 

Dificuldades emocionais no AVC

A pessoa que sofreu um AVC pode apresentar alteração no comportamento, que pode ser resultado de lesão cerebral ou resposta emocional pela condição em que se encontra:
Impulsividade – a pessoa passa a agir de forma imprudente como andar sozinha ou querer dirigir um carro sem estar em condições, colocando em risco a sua vida e de terceiros. É indicado a necessidade de orientação sobre os riscos que atitudes como estas podem ocorrer.

Apatia – as vezes confundida com depressão, a pessoa fica sem vontade de realizar tarefas, dispersa, olhando para o infinito, não se preocupa com nada. Nesses casos a motivação é o ideal, incentivando a sair, encontrar pessoas, fazer atividades simples, porém deixando para ela a opção de escolher.

Labilidade emocional – descontrole de emoções: choram com facilidade, sorri descontroladamente ou tem mudanças de humor repentinas. São reações do AVC, não adiantando pedir ao paciente para parar de chorar, recomenda-se perguntar ao paciente como quer ser tratado durante este periodo e aguardar passar estas emoções sem cobrança.

Depressão – quando há persistência de tristeza, ansiedade, negativismo e perda de interesse em atividades que gostava, sentimento de culpa, fadiga persistente, insônia, mudanças de peso, perda de apetite, perda de memória e tentativas de suicidio. Pode ocorrer logo após o AVC ou depois de um período. Neste caso devera ser avaliado por um especialista que indicara o melhor tratamento, preferencialmente o mais rapido possivel para não atrapalhar a reabilitação.

Importante: A depressão quando tratada a tempo, aumenta a possiblidade de recuperação fisica e mental. Estudos comprovam que grande parte dos pacientes recuperam tambem a linguagem, memória e coordenação motora. O tratamento pode ser com antidepressivos ou psicoterapia.

Prevenção de queda

É importante previnir quedas, evitando complicações como fraturas ou lesões de gravidade simples como escoriações até traumas cranianos. A prevenção de quedas é considerada um problema de saúde pública, pelo numero de internações em decorrencia de quedas em domicilios e hospitais. Sendo muito comum em idosos, pessoas com AVC em fase de reabilitação e crianças.

Nos hospitais as quedas são relativamente comuns, sendo relatados de 2% a 12% dos pacientes, em maior numero nas unidades de reabilitação e neurologia. Mas que poderiam e deveriam ser evitados.

Dados importantes:

  • 20% das quedas ocorrem no banheiro;
  • 34% ocorrem a beira do leito;
  • 23% a 40% causam dano ao paciente;
  • 10% a 20% quedas em hospital são corriqueiros;
  • metade dos pacientes com fratura de quadril após uma queda no hospital vai morrer no proximo ano;
  • pacientes que sofreram queda em hospitais, além do custo elevado de medicamentos e profissionais, permanecem em média 12 dias a mais dos que não cairam.

Fatores de risco para queda:

  • Condição clinica: doenças que afetam o equilibrio como artrite, artrose, osteoporose, pressão baixa, labirintite, etc;
  • Medicações: sedativos, indutores do sono, tranquilizantes, medicações para doenças cardiacas, podem alterar reflexos motores, visuais e o raciocinio;
  • Tontura, confusão ou falta de clareza do raciocinio e fraqueza podem ocorrer em todas faixas etária

Medidas de prevenção

– Iluminação: mantenha os comodos bem iluminados, sem areas escuras, no quarto deixe uma luz noturna se necessitar de chamar alguem, nunca deixe fios eletricos ou extensões no caminho sobre o piso em area de circulação.

– Area de circulação: devem estar livres de móveis, brinquedos e tapetes de tecido que podem tropeçar.

-Vestuario: estimular uso de calçados e pantufas com sola de borracha, bem ajustados nos pés. Evitar chinelos. Evitar camisolas, pijamas ou roupões longos para não pisar na barra.

– Alimentação: deve ser equilibrada com pequenas refeições, nunca ¨pule¨ refeições. Consumir alimentos leves, com baixo teor de gordura, muitas fibras e ricos em cálcio.

– Atividades de vida diária: ao acordar ou levantar-se faça movimentos lentos para evitar tonturas, mantenha a campainha sempre ao lado para chamar quando precisar, a cama deverá ter um altura mais baixa, – Participar de programas de atividade fisica que visem desenvolver agilidade, equilibrio, coordenação e força muscular.

– avaliação e tratamento da hipotensão postural e precauções ortostaticas.

– Instalar barras de apoio no banheiro, laterais e paralelas ao vaso sanitário e paralelas no chuveiro. Elevação do vaso sanitário.

– Fazer rampas de acesso eliminando os pequenos degraus e colocar barras de apoio nas escadas.

– Reconhecimento de que paciente com quedas tem alto risco de sofrer quedas novamente.

 

Referência: Cumbler, E. Likosky, D. In-hospital falls.
Queiroz, Roberto Dantas. Manual de prevenção de quedas da pessoa idosa. Iamspe- A saude do servidor.
MD Consult L.L.C.
American Spinal Injury Association
American Trauma Society
Ministerio da Saude