O QUE É AVC

O acidente vascular cerebral (AVC), conhecido popularmente como derrame cerebral, pode ser de dois tipos:

1. Acidente Vascular Isquêmico

Falta de circulação numa área do cérebro provocada por obstrução de uma ou mais artérias por ateromas, trombose ou embolia. Ocorre, em geral, em pessoas mais velhas, com diabetes, colesterol elevado, hipertensão arterial, problemas vasculares e fumantes.

2. Acidente Vascular Hemorrágico

Sangramento cerebral provocado pelo rompimento de uma artéria ou vaso sanguíneo, em virtude de hipertensão arterial, problemas na coagulação do sangue, traumatismos. Pode ocorrer em pessoas mais jovens e a evolução é mais grave.

 

Sinais de Alerta

Início súbito de qualquer dos sintomas abaixo:

  • Fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em um lado do corpo;
  • Confusão, alteração da fala ou compreensão;
  • Alteração na visão (em um ou ambos os olhos);
  • Alteração do equilíbrio, coordenação , tontura ou alteração no andar;
  • Dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparentes.

Se você ou alguém que você conhece estiver com um destes sintomas LIGUE imediatamente para o número 192 (SAMU), ou para o serviço de ambulância de emergência da sua cidade, para que possam enviar o atendimento a você. Cada segundo é importante!

 

Fatores de Risco

Fator de risco é aquele que pode facilitar a ocorrência de derrame. Seguindo os cuidados adequado, é possível diminui a probabilidade de uma pessoa ter um AVC.

Pós-AVC

Plasticidade

O cérebro é uma área muito complexa e ainda um mistério a ser desvendado, porém a neuroplasticidade trouxe esperança e expôs todo potencial de um cérebro em atividade, os neurônios são responsáveis por desempenhar funções básicas como andar, falar, comer, respirar, etc. A descoberta da neuroplasticidade demonstrou que os neurônios realizam conexões das áreas afetadas a partir das não afetadas, são chamadas sinapses, ampliando as oportunidades de reabilitação e recuperação motora.

Para estimular os neurônios a realizarem estas conexões é necessário um conjunto de terapias de reabilitação, desenvolvidas por equipe multidisciplinar: fisioterapia respiratória e motora, fonoaudiologia de deglutição e fala, terapia ocupacional para posicionamento diversos, nutricionista e psicologo. As terapias alternativas também são muito bem vindas como reike, acupuntura, massagem, kinesioterapia e outros.

O objetivo desta cartilha é compreender o funcionamento do cérebro lesionado e aplicar as terapias corretas com equipamentos que auxiliem na recuperação e melhorem a qualidade de vida dos pacientes para que os movimentos retornem num período de tempo menor que as terapias convencionais. Os exercícios de estimulação e repetição diária, tem que ser encarados como uma nova chance de recuperação e ninguém poderá prever o futuro, mas com os avanços tecnológicos é possível sonhar com a recuperação total, mesmo que para isso tenha que se utilizar mais recursos com tecnologia de ponta.

Úlceras de pressão/ Escaras

Também denominadas escaras ou úlceras de decúbito, ocorrem normalmente em pessoas acamadas que não conseguem se movimentar e mudar de posição regularmente, propiciando uma área de pressão de longa permanência. Em consequência há uma redução do fluxo sanguíneo e com a pressão do osso contra a pele poderá haver isquemia ou necrose.
O tratamento é demorado, doloroso e ainda ser foco de infecções devido a exposição das feridas. O estado emocional do paciente também ficará abalado, interferindo negativamente no tratamento médico.

Para prevenir é necessário alguns cuidados tanto na internação hospitalar quanto domiciliar: realizar as mudanças de decúbito (posicionar o corpo, lateralizar, direita/ esquerda/ dorsal) de 2h/2h, evitar o contato com superfícies molhadas (roupa, fralda e lençol), hidratar a pele com creme hidratante a base de AGE, no corpo todo após o banho e antes de dormir, adquirir o colchão inflável de pressão alternada, evitando que as áreas do corpo fiquem em contato com o colchão diminuindo a pressão e reduzindo o aparecimento de escaras.

Estes procedimentos simples de cuidados diários trazem muitos benefícios ao paciente já debilitado pela doença e os resultados são inúmeros:

Auxiliam na circulação sanguínea, colaborando para que a energia flua em todo organismo assim como o oxigênio e medicação;
Economia no tratamento de cicatrização que podem levar meses até anos para cicatrizar, economia no uso de materiais hospitalares e no tempo de profissionais de enfermagem dedicados a realizar curativos e cuidados ao movimentar e higienizar;
Evitam sofrimentos desnecessários como dor e falta de posicionamento na cama, mas principalmente impedem que pacientes morram de infecções oriundas destes ferimentos.

 

Dificuldades emocionais no AVC

A pessoa que sofreu um AVC pode apresentar alteração no comportamento, que pode ser resultado de lesão cerebral ou resposta emocional pela condição em que se encontra:
Impulsividade – a pessoa passa a agir de forma imprudente como andar sozinha ou querer dirigir um carro sem estar em condições, colocando em risco a sua vida e de terceiros. É indicado a necessidade de orientação sobre os riscos que atitudes como estas podem ocorrer.

Apatia – as vezes confundida com depressão, a pessoa fica sem vontade de realizar tarefas, dispersa, olhando para o infinito, não se preocupa com nada. Nesses casos a motivação é o ideal, incentivando a sair, encontrar pessoas, fazer atividades simples, porém deixando para ela a opção de escolher.

Labilidade emocional – descontrole de emoções: choram com facilidade, sorri descontroladamente ou tem mudanças de humor repentinas. São reações do AVC, não adiantando pedir ao paciente para parar de chorar, recomenda-se perguntar ao paciente como quer ser tratado durante este período e aguardar passar estas emoções sem cobrança.

Depressão – quando há persistência de tristeza, ansiedade, negativismo e perda de interesse em atividades que gostava, sentimento de culpa, fadiga persistente, insônia, mudanças de peso, perda de apetite, perda de memória e tentativas de suicídio. Pode ocorrer logo após o AVC ou depois de um período. Neste caso devera ser avaliado por um especialista que indicara o melhor tratamento, preferencialmente o mais rápido possível para não atrapalhar a reabilitação.

Importante: A depressão quando tratada a tempo, aumenta a possibilidade de recuperação física e mental. Estudos comprovam que grande parte dos pacientes recuperam também a linguagem, memória e coordenação motora. O tratamento pode ser com antidepressivos ou psicoterapia.

Prevenção de queda

É importante prevenir quedas, evitando complicações como fraturas ou lesões de gravidade simples como escoriações até traumas cranianos. A prevenção de quedas é considerada um problema de saúde pública, pelo numero de internações em decorrência de quedas em domicílios e hospitais. Sendo muito comum em idosos, pessoas com AVC em fase de reabilitação e crianças.

Nos hospitais as quedas são relativamente comuns, sendo relatados de 2% a 12% dos pacientes, em maior numero nas unidades de reabilitação e neurologia. Mas que poderiam e deveriam ser evitados.

Dados importantes:

20% das quedas ocorrem no banheiro;
34% ocorrem a beira do leito;
23% a 40% causam dano ao paciente;
10% a 20% quedas em hospital são corriqueiros;
metade dos pacientes com fratura de quadril após uma queda no hospital vai morrer no próximo ano;
pacientes que sofreram queda em hospitais, além do custo elevado de medicamentos e profissionais, permanecem em média 12 dias a mais dos que não caíram.
Fatores de risco para queda:

Condição clinica: doenças que afetam o equilíbrio como artrite, artrose, osteoporose, pressão baixa, labirintite, etc;
Medicações: sedativos, indutores do sono, tranquilizantes, medicações para doenças cardíacas, podem alterar reflexos motores, visuais e o raciocínio;
Tontura, confusão ou falta de clareza do raciocínio e fraqueza podem ocorrer em todas faixas etária
Medidas de prevenção

– Iluminação: mantenha os cômodos bem iluminados, sem áreas escuras, no quarto deixe uma luz noturna se necessitar de chamar alguém, nunca deixe fios elétricos ou extensões no caminho sobre o piso em área de circulação.

– Área de circulação: devem estar livres de móveis, brinquedos e tapetes de tecido que podem tropeçar.

-Vestuário: estimular uso de calçados e pantufas com sola de borracha, bem ajustados nos pés. Evitar chinelos. Evitar camisolas, pijamas ou roupões longos para não pisar na barra.

– Alimentação: deve ser equilibrada com pequenas refeições, nunca ¨pule¨ refeições. Consumir alimentos leves, com baixo teor de gordura, muitas fibras e ricos em cálcio.

– Atividades de vida diária: ao acordar ou levantar-se faça movimentos lentos para evitar tonturas, mantenha a campainha sempre ao lado para chamar quando precisar, a cama deverá ter um altura mais baixa, – Participar de programas de atividade física que visem desenvolver agilidade, equilíbrio, coordenação e força muscular.

– avaliação e tratamento da hipotensão postural e precauções ortostáticas.

– Instalar barras de apoio no banheiro, laterais e paralelas ao vaso sanitário e paralelas no chuveiro. Elevação do vaso sanitário.

– Fazer rampas de acesso eliminando os pequenos degraus e colocar barras de apoio nas escadas.

– Reconhecimento de que paciente com quedas tem alto risco de sofrer quedas novamente.

 

Referência: Cumbler, E. Likosky, D. In-hospital falls.
Queiroz, Roberto Dantas. Manual de prevenção de quedas da pessoa idosa. Iamspe- A saude do servidor.
MD Consult L.L.C.
American Spinal Injury Association
American Trauma Society
Ministerio da Saude

DEPOIMENTOS

Veja o relato da Fabiana, que deixa claro o perigo que o uso de anticoncepcionais representa. Compartilhe e alerte amigos e parente!