Discutindo o cuidado integral aos  pacientes e familiares

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) “Cuidados Paliativos consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, da identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais”(1). Segundo a ANCP (Academia Nacional de Cuidados Paliativos) são:  “O alívio do sofrimento, a compaixão pelo doente e seus familiares, o controle impecável dos sintomas e da dor, a busca pela autonomia e pela manutenção de uma vida ativa enquanto ela durar: esses são alguns dos princípios dos Cuidados Paliativos que, finalmente, começam a ser reconhecidos em todas as esferas da sociedade brasileira.” (2)

 

Simplificando, significa cuidar de forma integral do paciente, tendo atenção aos aspectos psicológicos, sociais, espirituais e familiares do indivíduo, aliviando a dor e outros sintomas físicos e psicológicos.

 

Os cuidados paliativos são praticados desde a antiguidade, quando a medicina pouco curava e o médico , cirurgião ou mesmo curandeiros trabalhavam no estudo e identificação das doenças e no cuidado amplo do paciente incluindo a preparação para a morte , sendo esta considerada parte da vida , inexorável, diferentemente de como é vista hoje,  como um  fracasso médico ou situação a ser temida e adiada ao máximo. Na Idade Média, durante as Cruzadas, era comum achar hospices em monastérios, que abrigavam não somente os doentes e moribundos, mas também os famintos, mulheres em trabalho de parto, pobres, órfãos e leprosos. Até o final do século XIX pouco se podia fazer para curar um paciente , apenas aliviar os sintomas , contudo a descoberta da anestesia crescentemente utilizada em cirurgias curativas e do antibiótico através dos estudos de Alexander Fleming a concepção médica mudou tendendo para busca da cura e de novas tecnologias que a permitam. Em 1900,  Irmãs da Caridade irlandesas, fundaram o St. Josephs´s Convent, em Londres, e começaram a visitar os doentes em suas casas. Em 1902, elas abriram o St. Joseph´s Hospice com 30 camas para moribundos pobres. Seguindo e ampliando o cuidado aparece a figura de Cicely Saunders, enfermeira , assistente social e médica. Em 1967, ela fundou o St. Christopher´s Hospice, o primeiro serviço a oferecer cuidado integral ao paciente, desde o controle de sintomas, alívio da dor e do sofrimento psicológico.  Até hoje, o St. Christopher´s é reconhecido como um dos principais serviços no mundo em Cuidados Paliativos e Medicina Paliativa.(2;3)

 

Atualmente enfrentamos a pressa e ansiedade da sociedade moderna quando o indivíduo é abrigado em tabelas e estatísticas. O cuidado individual amplo ficou esquecido por médicos, enfermeiros e demais profissionais. Os familiares buscam a cura e quando não a tem o sentimento é de revolta, dor, angústia e há uma busca desenfreada por soluções, tratamentos e tecnologias que custam muito, não estão disponíveis para todos e que podem, na maioria dos casos,  não ser uma resposta definitiva para a doença o que novamente gera angústia, dor, medo e uma terrível sensação de impotência diante da vida e da morte. (4)

 

Vamos voltar nossas atenções aos pacientes e não a doença exclusivamente. Estamos envelhecendo, mais pessoas sofrem de doenças crônicas , incapacitantes, os diagnósticos de câncer aumentam, os acidentes vasculares cerebrais são uma realidade algumas vezes imprevisível e com graves sequelas, então vamos nos unir , cuidar dos nossos pais, irmãos, filhos, companheiros, pacientes com todo carinho e respeito à complexidade e diversidade do ser humano.
Referências:
1- OMS ( organização Mundial de Saúde)
3- Saunders C. O cuidado das fases terminais de câncer Ann R Coll Surg 1967; 41 (suppl):… 162-9 [ PMC livre artigo ] [ PubMed ]
4- DOYLE, D. et al. The Oxford Textbook of Palliative Medicine. Oxford University Press. 3rd ed. 200.